Oumuamua: pesquisador de Harvard insiste que objeto interestelar é alienígena

REPRODUÇÃO DO OUMUAMUA (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Em uma nova entrevista com o jornal israelense Haaretz, Avi Loeb, chefe do Departamento de Astronomia da Universidade de Harvard, defendeu sua hipótese de que o objeto interestelar conhecido como Oumuamua poderia ser uma sonda alienígena.

“Assim que sairmos do Sistema Solar, acredito que veremos muito tráfego”, ele disse. “Possivelmente nós receberemos uma mensagem dizendo: ‘bem-vindo ao clube interestelar.’ Ou descobriremos várias civilizações mortas, isto é, encontraremos seus restos mortais.”

Depois que os astrônomos encontraram Oumuamua, Loeb e um colega especularam que ele seria um mecanismo de propulsão chamado vela solar, o que poderia explicar sua estranha trajetória.

Outra descoberta foi que o brilho do objeto mudou quando ele girou, indicando que ele teria uma forma achatada parecida com um charuto ou até uma panqueca – geometria incomum para asteroides.

Uma tentativa de escutar sinais de rádio do misterioso corpo celeste veio à tona, mas Loeb insiste na possibilidade de que ele seja de origem inteligente. “Não temos como saber se é uma tecnologia ativa ou uma nave espacial que não funciona mais e continua a flutuar no espaço”, afirmou. “Mas se Oumuamua foi criado junto com uma população inteira de objetos similares que foram lançados aleatoriamente, o fato de descobrirmos isso significa que seus criadores lançaram um quatrilhão de sondas como esta para todas as estrelas da Via Láctea.”

Na entrevista, Loeb ainda sugeriu que o universo poderia estar repleto de sociedades alienígenas e que os cientistas deveriam se concentrar em encontrar evidências sobre elas.

“Nossa abordagem deve ser arqueológica. Da mesma forma que escavamos no solo para encontrar culturas que não existem mais, precisamos cavar no espaço para descobrir civilizações que existem fora da Terra”, ele declarou. “A busca por vida extraterrestre não é especulação. É muito menos especulativo do que a suposição de que há matéria escura no universo.”

Galileu

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Adoçante não emagrece ou melhora a saúde, diz estudo

Foto: Think

O adoçante não emagrece nem melhora a saúde, de acordo com um estudo realizado pelo grupo de pesquisa internacional Cochrane a pedido da OMS (Organização Mundial da Saúde) e publicado no British Medical Journal. O órgão prepara um relatório com orientações sobre como substituir a substância.

Em comparação com o açúcar, o estudo mostra que não há evidências convincentes de que os adoçantes possam ajudar a perder peso, embora ressalte que mais pesquisas ainda são necessárias para embasar essa afirmação.

O estudo contou com uma equipe de pesquisadores europeus que analisaram 56 pesquisas sobre o impacto do uso de adoçantes como o aspartame e a estévia no peso, no controle glicêmico e em doenças cardiovasculares.

Como conclusão, o estudo afirma não haver “nenhuma diferença estatística ou clínica relevante entre aqueles que utilizaram adoçantes e açúcar”.

Em editorial do periódico BMJ, Vasanti Malik, da Escola de Saúde Pública da Unviersidade Harvard, nos Estados Unidos, ressaltou que mais pesquisas são necessárias para comprovar essa tese.

No entanto, segundo ele, com base nas evidências já existentes, substituir o açúcar por adoçantes, especialmente em bebidas, pode ser uma estratégia útil para reduzir o risco de diabetes, doença cardíaca e AVC.

O endocrinologista Renato Zilli, do Hospital Sírio-Libanês, frisa que os adoçantes devem ser utilizados em quantidade limitada. “O gosto doce no cérebro faz com que a pessoa deseje alimentos mais doces. Existem estudos que ligam adoçantes a compulsão alimentar, diabetes, ganho de peso e doenças crônicas”, afirma.

Fabricantes de alimentos e de bebidas estão sob pressão no Brasil e em outros países ocidentais para ajudar a combater a epidemia de obesidade.

A OMS tem como objetivo produzir orientações sobre os adoçantes, pois seu uso é difundido como uma alternativa saudável ao açúcar.

R7

SINDSERH-RN: 2° Sindfest-RN Confraternização dos Empregados Públicos da EBSERH do RN

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No dia 28 de dezembro de 2018, a Coordenação do Sindicato Estadual dos Trabalhadores de Empresas Públicas de Serviços Hospitalares do Rio Grande do Norte – SINDSERH-RN, promoveu o 2° Sindfest-RN, que marcou a noite com uma grande confraternização especial para os Empregados da EBSERH lotados nos Hospitais Universitários do Rio Grande do Norte(HUOL, MEJC e HUAB) filiados a essa entidade sindical e convidados.
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O evento ocorreu no Chaplin Recepções e contou com um serviço perfeito de buffet, bar(Oito Coqueteis e Brahma Express, dentre outros) e decoração(DM Decorações). A alegria da noite ficou a encargo do Cantor Leo Ricci, que empolgou os convidados ao som de grandes sucessos.
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Durante o evento, os Coordenadores do Sindserh-RN, André Santos e Auricélia Lopes lembraram os obstáculos e dificuldades sofridas para conseguir criar os alicerces necessários para erguer o SINDSERH-RN, enfatizando que há 3 anos atrás, a sede funcional do sindicato era dentro das duas caixas que foram utilizadas para realização dos sorteios dos brindes, e que tamanha construção só foi possível graças a confiança dos filiados e muita dedicação, resiliência, abdicação, organização e perseverança dessa Coordenação e Direção, que com pouco mais de 2 anos anos da criação da entidade sindical, conseguiram arduamente grandes feitos para categoria a nível nacional e local, dentre esses, o Registro Sindical junto ao Ministério do Trabalho e Emprego, conquista essa que muitas entidades sindicais passam mais de 10 anos para alcançar, outras sequer conseguem. Os Coordenadores também abordaram a transição de governo que iniciou em 2019, assunto esse que tem deixado muitos empregados preocupados; no entanto os gestores sindicais André Santos e Auricélia Lopes solicitaram tranquilidade e união da categoria.O Coordenador André Santos lembrou aos trabalhadores que nenhuma conquista da classe foi fácil: “nunca obtivemos qualquer conquista de forma facilitada, sempre tratamos as dificuldades com seriedade, estando essa Coordenação sempre atenta para proteger e resguardar os Empregados Públicos Concursados da EBSERH“. Para a Coordenadora Auricélia Lopes, a EBSERH cumpre papel social exemplar para toda rede nacional de saúde: “mesmo com tanta oposição ideológica, nossa estatal deu certo, os Hospitais Universitários deram um grande salto após a implantação da EBSERH. O modelo de gestão e a mão de obra qualificada dos Empregados Públicos Concursados tem sido um diferencial no atendimento diário aos Usuários do SUS, na pesquisa e no ensino de milhares de estudantes universitários que aprimoram seus conhecimentos nos Hospitais Filiados a EBSERH”.
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No decorrer da confraternização, muitos filiados buscaram a Coordenação do Sindserh-RN a fim de parabenizar pelo evento, agradecendo pela dedicação e atenção com que tratam a categoria.
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Agradecimento especial pelas presenças:

Sr. Santa Rosa – Presidente SICOOB-RN
Sr. Moacir Soares- Representante da CTB no RN
Sr. Adriano Furtado – Presidente Sindserh-PB

Coordenação Sindserh-RN
Auricélia Lopes
André Santos
Sandra Ferreira

Fonte: Blog do Sindserh-RN

Senador pede “discrição” a deputado no projeto do hub dos Correios no RN

Enquanto João Maia fala em união da bancada, Jean-Paul Prates diz que o melhor é não chamar a atenção sobre o assunto para evitar o apetite da concorrência

José Aldenir / Agora RN

Jean-Paul Prates, senador, e João Maia, deputado eleito

O senador Jean-Paul Prates usou suas redes sociais para pedir mais “estratégia” e “discrição” ao recém-eleito deputado João Maia (PR).

No centro do assunto, o projeto do Centro Internacional de Encomendas dos Correios, mais conhecido como “hub” dos Correios, engavetado há um ano, e ressuscitado pelo deputado João Maia, que pediu a união da bancada potiguar para trazer o projeto.

Em 2016, em meio ao processo de impeachment da presidente Dilma Roussef, os Correios chegaram a anunciar a escolha do aeroporto internacional Governador Aluísio Alves, em São Gonçalo do Amarante, para sediar o primeiro hub do Nordeste e o quarto do Brasil, junto aos já existentes no Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba.

Neste fim de semana, o senador Jean-Paul Prates pegou uma carona nas declarações do deputado do PR para lembrar que no ano passado ele já estava tratando desse assunto em Brasília à pedido da governadora eleita Fátima Bezerra.

“Em julho do ano passado, quando me reuni com os Correios em Brasília a pedido da então Senadora Fatima Bezerra para informá-la do status do projeto no âmbito do Governo Federal, e em dezembro mantivemos reunião de resgate do mesmo com a diretoria da Inframerica no gabinete do Senado”, escreveu Prates em sua conta do Instagram.

“A retomada deste importante projeto exige muita estratégia e discrição pois, como em outros casos semelhantes em que projetos se transformam em disputas estaduais, há muitos interesses e forças em jogo”, disse Prates em referência ao Hub da Latam, que provocou intensa disputa envolvendo outros estados nordestinos. O projeto, porém, acabou sendo suspenso.

Jean-Paul lembrou, ainda, a participação da governadora Fátima Bezerra e do então prefeito de São Gonçalo do Amarante, Jaime Calado, atual secretário de Desenvolvimento Econômico, que em 2013 começaram a trabalhar na ideia de trazer um hub dos Correios para o RN.

“Ao final de 2017, alegando nova política comercial e necessidade de cortar investimentos, a ECT anunciou o adiamento do projeto do Centro Internacional dos Correios (CEINT) em Natal/São Gonçalo do Amarante, mas o manteve no seu planejamento”, explicou Prates em sua postagem.

Procurados nesta segunda-feira pelo Agora RN para comentar o assunto, nem o senador Jean-Paul Prates e deputado João Maia retornaram as ligações.

Fonte: Agora RN

Conheça o alimento que combate o diabetes quando consumido de manhã

Como o ovo apresenta um alto teor de proteína e tem poucos carboidratos, ele demora para ser digerido

DR

Os sintomas de diabetes de tipo 2 incluem dores de cabeça e pressão alta

Em novo estudo finlandês aponta que a dieta tem um papel determinante na regulação dos níveis de açúcar no sangue e sugere que os pacientes podem atenuar os sintomas associados à doença consumindo diariamente, principalmente pela manhã, um ovo.

Contudo, a pesquisa é controversa, pois há médicos que apontam que o consumo pode aumentar o colesterol.

Mas afinal, será que comer um ovo por dia diminui realmente os níveis de açúcar do sangue?

Segundo a Associação Norte-Americana para o Estudo da Diabetes a resposta é sim.

Como o ovo apresenta um alto teor de proteína e tem poucos carboidratos, ele demora para ser digerido, impedindo assim que os índices de açúcar subam para níveis perigosos para a saúde.

O ovo ainda é um alimento rico em potássio, um nutriente que regula os níveis de sódio no organismo. A biotina presente no ovo é benéfica para a produção de insulina, tratando-se de um hormônio que ajuda a estabilizar a glicose ou açúcar na corrente sanguínea.

Para além das recomendações da organização norte-americana, o novo estudo realizado por cientistas da Universidade do Este da Finlândia salienta que o consumo de um ovo por dia apresenta benefícios à saúde de pacientes diabéticos. Os dados da pesquisa publicados no periódico científico Molecular Nutrition and Food Research sugerem que comer ovos com moderação tem efeitos positivos no organismo dos diabéticos.

Stefania Norman, a professora e líder do estudo, explicou: “Apesar de ainda ser muito cedo para estabelecermos uma relação causal a 100%, a verdade é que os compostos do ovo têm um papel determinante no adiamento da incidência de diabetes de tipo 2 e na atenuação dos sintomas de quem já sofre da doença”.

Fonte: Notícias ao Minuto

Anticristo usará tecnologia para manipular indivíduos, afirma líder religioso

Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa alertou, em entrevista, para o uso excessivo dos aparelhos eletrônicos que podem trazer o Anticristo à Terra

Reprodução/ Twitter

O líder destacou que a igreja não é contra a tecnologia moderna

O líder da Igreja Ortodoxa Russa fez uma declaração polêmica em entrevista à rede de televisão estatal do país. O patriarca Kirill alertou que o uso excessivo de smartphones e da tecnologia moderna pode trazer o Anticristo à Terra e ainda ser um meio para que ele controle a sociedade.

O patriarca explicou que dispositivos – como celulares, tablets e notebook – podem mostrar o perfil e a localização de cada pessoa, o que pode ser um eficiente mecanismo a ser usado contra a humanidade pelo Anticristo, já que é possível saber onde a pessoa se localiza, quais são seus interesses e do que ela tem medo.

Essa seria, portanto, a perfeita oportunidade para a figura do anticristo “ganhar controle global sobre a raça humana”, de acordo com Kirill. O líder ainda destacou que as tecnologias não só fornecem informações como também permitem que elas sejam manipuladas e, por isso, os fiéis usuários de smartphones precisam ter cuidado.

“O anticristo é a pessoa que estará à frente da internet, controlando toda a humanidade”, afirmou. Segundo Kirill, a possibilidade de que uma pessoa tenha o controle de todo o conhecimento do mundo é um presságio para a vinda da figura do Anticristo que será capaz de ter e usar todos os tipos de informação.

Apesar disso, o líder destacou que a igreja não é contra a tecnologia moderna, mas sim contra esse sistema que permite que uma pessoa tenha acesso e controle todas as informações sobre os indivíduos.

Os demais líderes ortodoxos russos ainda não se manifestaram em relação à declaração, porém nas redes sociais o assunto foi comentado e debatido tanto por aqueles que apoiam o pensamento do patriarca, quanto por aqueles que afirmam que Kirill sustenta “lealdade ao governo e suas leis”.

Tal acusação é motivada pela proximidade entre o líder e o presidente russo, Vladimir Putin. Kirill é a favor do posicionamento nacionalista de Putin, que costuma participar de eventos importantes da igreja, incluindo uma peregrinação ao Monte Athos, na Grécia.

Há um tempo o país vem restringindo a utilização da internet pelos cidadãos e implantando leis que permitem ao governo tirar sites do ar sem a necessidade de uma ordem judicial. Além disso, há ainda a possibilidade de que a Rússia esteja criando a sua própria versão de internet, segundo as autoridades. Até o momento, essas medidas não apresentaram ter motivação religiosa, como a vinda do Anticristo.

Fonte: iG

Musical ‘Elza’ chega a Natal para duas apresentações no Teatro Riachuelo

Espetáculo foi desenvolvido, no momento em que Elza se encontra no auge de uma carreira marcada por reviravoltas e renascimentos

Leo Aversa

Musical Elza será no Teatro Riachuelo

A trajetória de Elza Soares é sinônimo de resistência e reinvenção. As múltiplas facetas apresentadas ao longo de sua majestosa carreira estão em cena no musical “Elza”, no Teatro Riachuelo. Larissa Luz, convidada para a montagem, e outras seis atrizes selecionadas após uma bateria de testes (Janamô, Júlia Tizumba, Késia Estácio, Khrystal, Laís Lacorte e Verônica Bonfim) dividem a missão de evocar a intérprete, através do texto de Vinícius Calderoni e da direção de Duda Maia.

Pedro Luís, Larissa Luz e Antônia Adnet assinam a direção musical e o maestro Letieres Leite foi o responsável pelos novos arranjos para clássicos do repertório da cantora, como ‘Lama’, ‘O Meu Guri’, ‘A Carne’ e ‘Se Acaso Você Chegasse’. O projeto foi idealizado por Andrea Alves, da Sarau Agência, a partir de um convite da própria Elza e de seus produtores Juliano Almeida e Pedro Loureiro.

O espetáculo foi desenvolvido, no momento em que Elza se encontra no auge de uma carreira marcada por reviravoltas e renascimentos. Ao lançar seus últimos dois discos, ‘A Mulher do Fim do Mundo’ (2015) e ‘Deus é Mulher’ (2018), a cantora não somente ampliou ainda mais seu repertório e o imenso leque de fãs, como conquistou, mais uma vez, a crítica internacional, e se consolidou como uma das principais vozes da mulher negra brasileira. ‘O espetáculo é uma grande celebração da mulher. É a vez e a voz da mulher brasileira em cena’, vibra a produtora Andrea Alves, responsável por espetáculos recentemente premiados, como ‘Suassuna – O Auto do Reino do Sol’, ‘Auê’ e ‘Gota D’Água [a seco]’.

Vinícius Calderoni, autor do texto, chama a atenção para a coletividade presente em todo o processo de criação da montagem. Após ter escrito as primeiras páginas, ele começou a frequentar os ensaios e estabeleceu um rico intercâmbio com Duda Maia e as sete atrizes. ‘Hoje poderia dizer que elas são coautoras e colaboradoras do texto. São sete atrizes negras e múltiplas, como a Elza é. Diante da responsabilidade enorme, eu estabeleci limites de fala para mim, por exemplo, em relação a alguns temas. Limitei a minha voz e disse que não escreveria nada, queria os relatos delas e as opiniões. Pedi a colaboração delas, das experiências vividas por uma mulher negra. Do mesmo jeito que a Duda propôs muitas coisas, as atrizes também tiveram este espaço’, conta o dramaturgo.

Tal processo colaborativo se estendeu para a música, com a participação ativa das atrizes e das musicistas nos ensaios com Pedro Luís, diretor musical, e o maestro Letieres Leite, que liderou algumas oficinas com o grupo no período dos ensaios. O processo gerou ainda duas canções inéditas que estão na peça: ‘Ogum’, de Pedro Luís, e ‘Rap da Vila Vintém’, de Larissa Luz. Se a escolha de Pedro para a função foi referendada pela própria Elza – que gravou e escolheu um verso do compositor para nomear seu último disco –, Larissa já estava envolvida com o projeto desde o seu embrião.

Uma força arrebatadora, mas sem perder a leveza

As atrizes que vão dividir o palco com Larissa passaram por uma série de audições, em um processo que privilegiou a escolha de intérpretes multifacetadas. Em cena, elas se dividem ao viver Elza em suas mais diversas fases e interpretam outros personagens, como os familiares e amigos da cantora, além de personalidades marcantes, como Ary Barroso (1903-1964), apresentador do programa onde se apresentou pela primeira vez, e Garrincha (1933-1983), que protagonizou com ela um dos mais famosos e tórridos casos de amor da recente história brasileira.

Ainda que muitos dos conhecidos episódios da vida da homenageada estejam no palco, a estrutura de ‘Elza’ foge do formato convencional das biografias musicais. Se os personagens podem ser vividos por várias atrizes ao mesmo tempo, a estrutura do texto também não é necessariamente cronológica. Da mesma forma que músicas recentes (‘A Mulher do Fim do Mundo’, ‘A Carne’, ‘Maria da Vila Matilde’) se embaralham aos sucessos das mais de seis décadas de carreira da cantora, como ‘Se Acaso Você Chegasse’, ‘Lama’, ‘Malandro’, ‘Lata D’Água’ e ‘Cadeira Vazia’.

Marcada por uma série de tragédias pessoais – a morte dos filhos e de Garrincha, a violência doméstica e a intolerância –, a jornada de Elza é contada com alegria. Foi este o único pedido da própria cantora:

‘A Elza me disse: ‘sou muito alegre, viva, debochada. Não vai me fazer um musical triste, tem que ter alegria’. Isso foi ótimo, achei importante fazer o espetáculo a partir deste encontro, pois assim me deu base para saber como Elza se via e como ela gostaria de ser retratada’, conta Vinicius, que leu e assistiu a infindáveis entrevistas que a cantora deu ao longo da vida e também pesquisou a obra de pensadoras negras, como Angela Davis e Conceição Evaristo, cujos fragmentos de textos aparecem na peça.

‘Apesar de uma força arrebatadora, Elza tem muita leveza. É divertida. Mais do que nos pedir qualquer coisa, deixou claro que sua história é marcada por uma força absurda de viver. Que, apesar de tudo, tem garra, tem amor, tem opinião’, completa a diretora, que comandou o grupo por oito horas diárias de ensaio, durante os últimos três meses.

A sintonia de um encontro teatral

‘Elza’ marca o encontro da dramaturgia de Vinícius Calderoni com a direção de Duda Maia, dois nomes que se destacaram no recente panorama teatral brasileiro. Pela direção de ‘Auê’ (2016), estrelado pela Cia. Barca dos Corações Partidos, ela conquistou os prêmios Shell, Cesgranrio e Botequim Cultural de Melhor Direção, além dos prêmios APTR e Cesgranrio de Melhor Espetáculo e o Bibi Ferreira de Melhor Musical Nacional. Enquanto isso, Vinicius já ganhou o Prêmio Shell de Melhor Autor por ‘Ãrrã’ (2015), o APCA por ‘Os Arqueólogos’ (2016) e coleciona outras indicações e troféus por espetáculos da companhia Empório de Teatro Sortido, que lidera ao lado de Rafael Gomes.

Em paralelo à carreira de escritor, Vinícius é também músico – ele integra a banda 5 a seco e tem dois discos lançados – e ator. A experiência musical foi determinante no processo de criação do texto. ‘Desde pequeno quis ser letrista, gostava de escrever letras de canção. Quando escrevi o musical, eu me guiei pela sensação de letrista, escolhendo o tamanho das frases e a sonoridade rítmica delas’, conta o autor.

Já Duda trouxe todo o seu reconhecido trabalho corporal para o desenvolvimento da linguagem da encenação. ‘Eu e corpo somos uma coisa só, ele é minha religião. Para mim, não existe palavra sem corpo, a dança é meu começo, meio e fim. Esse grupo de atrizes é muito forte, elas mergulharam de cabeça nessa ideia’, ressalta a diretora.

A sintonia entre eles e Pedro Luís (diretor musical) foi determinada por uma característica fundamental no trabalho dos três: a escuta e a participação das intérpretes. ‘Foi um processo de ensaios muito vivo, em que partimos do princípio que a voz não é nossa, é das atrizes. Fizemos este trabalho para elas e a partir de propostas delas também. Precisamos olhar para o grupo, para a troca’, conta Duda, ressaltando que tudo só foi possível graças à parceria com a Sarau, produtora capitaneada por Andrea Alves.

Nos últimos anos, a Sarau foi responsável por grandes momentos do teatro nacional, como as montagens de ‘Gonzagão – A Lenda’, ‘Ópera do Malandro’, ‘Auê’ e ‘Suassuna – O Auto do Reino do Sol’, da Cia. Barca dos Corações Partidos, e ‘Gota D’Água [a seco]’, dirigida por Rafael Gomes e protagonizada por Laila Garin. Sempre comprometida com a cultura nacional em seus mais variados aspectos, a produtora também assina a direção do Festival Villa-Lobos e do Toca, evento que teve a primeira edição neste ano e trouxe a canção brasileira para o centro da discussão, através de shows gratuitos, oficinas e debates.

 

Fonte: Agora RN

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