Presença de Moacir Soares 65656 – Vereador de Natal , no 1º Debate com Candidatos a prefeito de Natal em 2016.

Por Heitor Gregório

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Dividido em quatro blocos, ocorreu na noite desta segunda (22) o primeiro debate entre os candidatos à Prefeitura de Natal, promovido pela 95FM, com a presença de Freitas Júnior (REDE), Mineiro (PT), Rosália (PSTU), Kelps (SDD), Márcia (PSDB) e Robério (PSOL)._MG_9875

Frio como ainda está a campanha, o debate mediado pela jornalista Juliana Celli, com duração de 2 horas, teve apenas um pedido de direito de resposta, após o candidato Kelps se sentir agredido pela candidata Rosália, que o chamou de candidato burguês. A coordenação do debate negou o direito de resposta por entender que não houve ataque pessoal._MG_9810

Os candidatos criticaram a ausência do prefeito de Natal, Carlos Eduardo (PDT), candidato à reeleição.MG_9698

Fernando Mineiro (PT) e Rosália (PSTU) falaram em “Fora Temer” por apenas uma vez._MG_9853

Também foi registrada críticas ao Governo de Robinson Faria (PSD) por parte da candidata Rosália do PSTU.

 

Fonte: Site do amigo Canindé Soares

Maria dos Navegantes assume interinamente a direção da CTB/RN

A presidente do Sindconfecções/RN, Maria dos Navegantes assume de forma interina pelos próximos quatro meses a presidência da CTB/RN. O presidente licenciado da Central Moacir Soares se afasta momentaneamente do cargo para disputar a vereança de Natal/RN.

A CTB/RN é uma das principais entidades sindicais representativas da classe trabalhadora potiguar. A importância da condução da luta neste período de diversas categorias em muito dignifica e honra a direção do Sindconfecções/RN, bem como os trabalhadores da indústria de confecção do Estado.

Fonte: Direção do Sindconfecções/RN

#ForaTemer e a retomada da Democracia levam 30 mil às ruas em Natal, no último dia 10/06

 

 

 

Durante todo o percurso, a manifestação aconteceu em clima tranquilo, e não foram registrados incidentes. As palavras de ordem, faixas, cartazes e artes reforçaram que não há saída fora da Democracia, pediram a saída do governo ilegítimo de Michel Temer e defenderam a Petrobrás, o Pré-Sal e a volta do Ministério da Ciência e Tecnologia.

Com a presença de trabalhadores do campo e da cidade, professores, estudantes, petroleiros, médicos progressistas, juristas, lideranças dos movimentos sociais, sindicais, de mulheres e da juventude, a expressiva e representativa manifestação foi uma demonstração de que a sociedade não aceita os retrocessos que estão sendo colocados em prática pelo governo golpista.

A avaliação é do vereador George Câmara (PCdoB). Para ele, a realização das mais diversas mobilizações em todo o país representa o crescimento da insatisfação do povo contra o golpe. “Fica muito claro que a classe trabalhadora tem a dimensão do que está em risco no país e não vai aceitar o golpe que está sendo arquitetado por segmentos políticos, empresariais e midiáticos”.

A grande mídia, especialmente a rede Globo, foi uma vez mais rechaçada aos motes de “O Povo não é bobo, abaixo a rede Globo” e “A Verdade é dura, a rede Globo apoiou a ditadura”, e acusada de alardear a falsa análise de que a deposição da presidenta Dilma, via um golpe de Estado, reconduziria o país à normalidade e à retomada do crescimento econômico.

Na avaliação dos presidentes estaduais da Central dos Trabalhadores  e Trabalhadoras do Brasil (CTB/RN) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT/RN), Moacir Soares e Eliane Bandeira, respectivamente, a participação da população demonstra que a sociedade compreendeu que o está em jogo é muito mais que apenas a defesa do governo da presidenta Dilma Rousseff.

Nivaldo Santana, vice-presidente nacional da CTB, destacou o caráter das manifestações, que envolve, trabalhadores, entidades e outros setores da sociedade que, mesmo não apoiando o governo da presidente Dilma, não se conformam com o golpe e afirmou que “a expectativa é de que esta jornada de lutas repercuta no futuro imediato do país. A nossa grande bandeira é a luta contra o golpe e pela volta da Democracia”.

Defendeu, ainda, “a convocação de um plebiscito pela antecipação das eleições presidenciais como uma forma concreta de dar perspectiva vitoriosa para o nosso movimento”.
A senadora Fátima Bezerra (PT), presente ao ato, avaliou que somente com as mobilizações populares nas ruas será possível reverter o golpe, cuja votação final está prevista para acontecer em agosto no Senado.

“Vamos intensificar as mobilizações, continuar ocupando as ruas e dialogar com a opinião pública para, com a força do povo, derrotarmos o golpe. Para quem tinha alguma dúvida, depois das mineiras medidas dos golpistas e das últimas revelações, ficou muito claro que o impeachment foi um pretexto para afastar a presidenta Dilma Rousseff com o objetivo de atrapalhar as investigações da Lava Jato”, comentou.

Para o deputado estadual Fernando Mineiro (PT), a mobilização demonstra que a sociedade não aceita os retrocessos que estão sendo colocados em prática pelo governo golpista. “Os ataques aos direitos trabalhistas, as ameaças de corte nos programas sociais e o risco anunciado de diminuição nos recursos para saúde e educação estão fazendo com que as pessoas se mobilizem, porque essa agenda não é a que foi aprovada pelos eleitores nas urnas. Não vamos dar trégua aos golpistas”, declarou.

Ao longo da gigante onda vermelha que cobriu a cidade de Natal, a cena mais comum foi composta de acenos e manifestações de apoio por um número grande de pessoas que acompanharam a caminhada de seus locais de trabalho, apartamentos, automóveis, ônibus e paradas do transporte coletivo.

De Natal, Jana Sá
Fotos: Vlademir Alexandre

A CTB e FINDECT concorrerá nas eleições do SINTECT/RN, coma a Chapa 2

Chapa 2 – Reconstrução da Luta Classista.

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No dia 03 de junho de 2016, O SINTECT/RN, Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos do Rio Grande do Norte, realiza suas eleições para o triênio 2016/2019. A CHAPA 2 “Reconstrução da Luta Classista”. Composta por militantes da CTB/RN e parte dissidente da atual diretoria, todos comprometidos com a luta pelos direitos e conquistas dos (as) trabalhadores e toda a população.

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A Chapa 2 traz companheiros (as) experimentados em outras gestões do nosso Sindicato, inclusive absorvendo em torno de um terço de dirigentes que divergiram da gestão atual, no entanto sem desprezar o caráter renovador, de pelo menos um terço de seus componentes que possamos chamar de sangue novo da categoria, a nossa Chapa, também teve uma grande preocupação de atender a inclusão de gênero, trazendo cinco mulheres em sua composição, o que representa quase um terço, inclusive esse numero é igual a soma das componentes das outras duas chapas, traz também em torno de um terço de companheiros atendentes comerciais. Dessa forma, estamos unindo a área operacional dos Correios, com mulheres, experiência, juventude e muita combatividade.

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             A Chapa 2 “Reconstrução da Luta Classista” é a chapa que reúne os companheiros (as)  que sempre estiveram presentes nas lutas históricas do SINTECT/RN, lado a lado nas mobilizações da categoria em suas grandes greves; culminando as mais gerais com as especificas, respeitando e incentivando a opção partidária de cada trabalhador (a), sem perder a autonomia da entidade sindical frente aos partidos políticos. Nesse sentido conclamamos a todos a participarem ativamente nesse processo eleitoral, de modo que possamos imprimir a reconstrução da nossa luta nessa brava categoria.

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Composição da Chapa – Presidente: Francisco Moacir Soares, CDD – Ribeira, Vice- presidente: Sabrina Bernardino Santana, AC São Miguel do Gostoso/RN;  Secretária Geral: Alcides Francisco de Sales,  AC – Alecrim;- Diretor de Finanças: Edivaldo Almeida de Oliveira,  CEE – Natal; – Diretor de  Imprensa e Divulgação: Beatriz Cecília de Araújo, CDD – Zona Norte;  Diretor de Formação Sindical: Roberto Carlos da Silva, CDD – Parnamirim;- Diretor de Relações Intersindicais: Steve Mc Queen de Souza Araújo, CDD – Parnamirim . Suplentes da Executiva: 1º) Francisco Cosme de Moura (Ico), CDD – Ribeira; 2º) Iaponira Barbosa dos Anjos (Popó),  Gerência de Vendas /RN; 3º) Marcos Romão da Silva, Secretaria de Patrimônio/Gerad; 4º): Raimundo Cesário da Silva Júnior,  AC São Gonçalo do Amarante; 5º) Crésio Torres de Oliveira Júnior, AC Pureza. CONSELHO DE SECRETÁRIOS – Secretaria da Questão da Mulher e das Minorias: Titular: Dayse Ferreira da Silva, AC Maxaranguape; Suplente: Glória Maria Gomes,  AC Macaíba. Secretária de Assuntos Jurídicos e da Saúde do Trabalhador: Titular: Herick Anderson Pontes Linhares, CDD – Lagoa Nova; Suplente: Marinaldo Fernandes de Souza,  GCTCE Natal/GTURN1. Secretária de Esporte, Cultura e Lazer: Titular: José Claudio Crisóstomo, CDD – Lagoa Nova; Suplente: Marcos Antonio Negreiro da Fonseca, CDD – Ribeira. CONSELHO FISCAL:  Jailton Estevam de Souza, AC Potengi;  Aldo Melo  do Nascimento,  AC Macau; Mauricio de Souza Gadelha,  AC Câmara Cascudo;  Conselho Fiscal Suplentes: 1º Armando Etelvino Gomes da Silva (Marley),  CDD – Cidade da Esperança;  2º) Fernandes Gomes de Macedo,  AC Currais Novos; 3º) Josivaldo Ramos da Silva, CDD – Ribeira.

Natal: 52 anos após o golpe de 64, 40 mil vão às ruas pela Democracia

Com a marca da diversificada expressão crítica do povo brasileiro, mais de 40 mil pessoas fizeram ecoar nas ruas de Natal o uníssono grito de Não Vai Ter Golpe. O ato convocado pela Frente Brasil Popular em defesa da Democracia e contra o golpe foi a maior manifestação de rua da capital do estado do Rio Grande do Norte. O evento teve concentração no cruzamento das Avenidas Salgado Filho e Bernardo Vieira, e saiu em caminhada por 3 km até a Praça da Árvore de Mirassol.

 

 

 

Durante todo o percurso, as palavras de ordem, faixas, cartazes e artes reforçaram que não há saída fora da Democracia, lembraram as consequências do golpe de 1964, os episódios de desrespeito aos valores humanos e à liberdade em todos os seus aspectos, e referenciaram a luta de homens e mulheres que resistiram às barbáries da ditadura militar no país e lutaram pela construção de um caminho de liberdades e redemocratização.
Com a presença de trabalhadores, professores, estudantes, juristas, artistas locais, esportistas, lideranças dos movimentos sociais, sindicais, de mulheres e da juventude, a expressiva e representativa manifestação comemorou, ainda, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de acatar, por 8 votos a 1, a decisão do ministro Teori Zavascki de tirar a investigação sobre Lula da alçada do juiz Sérgio Moro e transferi-las para a suprema corte.

A grande mídia, especialmente a rede Globo, foi uma vez mais rechaçada aos motes de “O Povo não é bobo, abaixo a rede Globo” e “A Verdade é dura, a rede Globo apoiou a ditadura”, e acusada de alardear a falsa análise de que a deposição da presidenta Dilma, via um golpe de Estado, reconduziria o país à normalidade e à retomada do crescimento econômico.

Na avaliação dos presidentes da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Moacir Soares e Eliane Bandeira, respectivamente, a participação recorde da população no ato deste dia 31, data de aniversário de 52 anos do golpe civil-militar de 1964, demonstra que a sociedade compreendeu que o está em jogo é muito mais que apenas a defesa do governo da presidenta Dilma Rousseff.

O coordenador geral do SINDIPETRO-RN, José Araújo, fez questão de lembrar que a Petrobrás, vem sendo um dos instrumentos utilizados pelos golpistas para fazer duros ataques ao governo Dilma, e diminuir a força popular. “Lutar pela democracia é, também, lutar em defesa da Petrobrás e das regiões produtoras que estão sendo entregues ao capital privado e vão deixar vários trabalhadores da Estatal e as regiões que englobam a cadeia produtiva sem nenhum amparo”.

A senadora Fátima Bezerra (PT) afirmou que a manifestação foi uma “demonstração de força dos setores progressistas da sociedade, que não vão assistir de braços cruzados o golpe planejado pela oposição, com o respaldo de setores da mídia”.

Já o deputado estadual Fernando Mineiro (PT) destacou as “muitas cores” que tomaram as ruas da cidade em defesa da democracia. Depois de citar, em tom emocionado, os nomes de vários desaparecidos políticos durante o regime militar no RN, ele enfatizou a importância do engajamento dos mais diversos setores sociais na luta contra o golpe em curso no país.

Para o vereador George Câmara (PCdoB), depois desta quinta-feira, quando as ruas foram tomadas voluntariamente pelas mais diversas representações da militância de esquerda, “ficou muito claro que não vamos aceitar o golpe que está sendo arquitetado pelos mesmos segmentos políticos, empresariais e midiáticos que deram respaldo à ruptura democrática de 1964”.

No trajeto da caminhada, grupos de artistas, estudantes e integrantes de movimentos sociais fizeram dramatizações, performances e apresentações culturais para demonstrar às pessoas que passavam pela manifestação a importância da defesa da democracia brasileira.

O movimento aconteceu em clima tranquilo, e não foram registrados incidentes. Ao longo da gigante onda vermelha que cobriu a cidade de Natal, a cena mais comum foi composta de acenos e manifestações de apoio por um número grande de pessoas que acompanharam a caminhada de seus locais de trabalho, apartamentos, automóveis, ônibus e paradas do transporte coletivo.

No Rio Grande do Norte, além da capital, houve mobilização nas cidades de Pau dos Ferros e Mossoró. Na capital da resistência, mais de três mil manifestantes se concentraram na Igreja São João, Bairro Doze Anos, e seguiram em caminhada até o Teatro Municipal, onde encerraram o movimento com um ato cultural.

 

De Natal, Gilson Sá, Jana Sá e Alisson

A pauta oculta do impeachment

Pré-Sal para petroleiras globais. Fim da demarcação indígena. “Direito” ao armamento pessoal. Veto à família homoafetiva e muito mais. Que projetos escondem-se atrás da suposta “luta contra corrupção”. Por Cristina Fróes de Borja Reis, Tatiana Berringer e Maria Caramez Carlotto*

 

 

 

A condução coercitiva do ex-presidente Lula em 4 de março foi, até o momento, o episódio mais grave da atual crise econômica e política no Brasil. A crise nos coloca diante de uma ameaça, diretamente ligada à correlação de forças existente na sociedade: os interesses do grande capital financeiro, há muito questionados, podem retomar completamente o controle do jogo.

Diante do espetáculo criado pela imprensa na chamada “luta contra a corrupção”, os interesses dominantes amplamente representados no Congresso aproveitam-se da cortina de fumaça para impor sua agenda regressiva ao país. Ao invés de discutir com seriedade e aprovar uma reforma política que pusesse fim ao financiamento empresarial de campanhas eleitorais, que é a base da estrutura do sistema político brasileiro criado no fim da ditadura militar e que está na raiz do escândalo atual, oportunisticamente resgata-se antigas e derrotadas ideias sob a forma de projetos de lei (PL), propostas de emendas constitucionais (PEC) e projetos de resolução do Senado (PRS) à aprovação sob regime de urgência. O rápido exame de alguns deles evidencia como atentam contra a soberania nacional, a democracia e os direitos humanos no Brasil.

Começando pela economia, o PRS 84/2007, apresentado pelo senador José Serra (PSDB/SP), estabelece um teto para a dívida pública líquida e bruta da União, reduzindo a autonomia de política macroeconômica do Estado (na sua capacidade de atuação anticíclica). Isso significa, no curto prazo, aprofundar o ajuste fiscal em curso desde 2015 e comprometer as possibilidades de saída da crise pois, também no médio e longo prazo, o estímulo tributário e de gastos públicos é fundamental para acender a dinâmica de investimentos doméstica. Duas das questões mais sensíveis e que afeta diretamente os gastos públicos são a reforma da previdência e a política de valorização do salário mínimo. Ambas estão sendo transformadas em prejuízo dos trabalhadores (como ficou claro no começo de 2015 com a imediata investida, naquele momento mal sucedida, para alterar a regra da valorização do mínimo e na Medida Provisória 680/2015, no sentido da flexibilização das leis trabalhistas), dos aposentados e da própria autonomia de política econômica e social.

A Lei de Responsabilidade das Estatais (PLS 555/2015), cujo relator é o senador Tasso Jereissati (PSDB/CE), é mais uma proposta em curso que fere o princípio da autonomia, ao criar um marco regulatório que enquadra as empresas estatais na lógica do mercado financeiro. Além de impedir filiados a partidos e sindicalistas de participarem na composição dos conselhos e diretorias, prioriza quem tem experiência no mercado. Tal reforma possibilita, sob a imagem de um falso republicanismo, a captura por parte de grupos particulares privados, nacionais ou estrangeiros, dos bens públicos que impactam fortemente na atividade econômica nacional e na inserção geopolítica do país.

Aqui residem dois movimentos igualmente perniciosos. O primeiro é a ameaça aos direitos de militantes de partidos e sindicatos — algo que fortalece a ampla propaganda de criminalização da política atualmente em curso, subtraindo dos atores políticos seus instrumentos legítimos de representação. Na esteira de um suposto esforço de combate à corrupção, difunde-se uma ideologia elitista e tecnicista, que associa toda e qualquer atividade política à busca do auto-interesse, ao descaso com a coisa pública quando não à simples prevaricação, como se o mercado e as estruturas burocráticas do Estado não fossem, eles também, permeados de interesses e visões ideológicas.

O segundo movimento é o de recondução da política externa e da margem de manobra do Estado diante das grandes potências, especialmente dos Estados Unidos, já que o posicionamento geopolítico no campo energético é crucial para a soberania brasileira e latino-americana. Ao contrário, o movimento de curso é de privatização dos recursos naturais e um benefício da maior participação dos grupos financeiros internacionais, representando uma subtração da soberania nacional e o fortalecimento deles.

É exatamente a soberania nacional que está em jogo com a aprovação pelo Senado Federal do PLS 131/ 2015, também de autoria do senador José Serra e atualmente tramitando na Câmara como PL 4567/2016. O projeto estabelece que a Petrobrás terá a prerrogativa de escolher se quer ser operadora do campo do Pré-Sal ou se prefere se abster da exploração mínima de 30% obrigada pela lei. Portanto, abre possibilidade para o capital privado, nacional e estrangeiro, se apropriar ainda mais de um recurso estratégico. Além disso, limita o poder fiscalizador que a estatal brasileira exerceria sobre a exploração do campo. Ou seja, não somente não garante que as operações passem a ser feitas maximizando lucratividade e eficiência, como desconsidera as implicações mais abrangentes de sua operação sobre a estrutura produtiva doméstica e suas consequências distributivas – em prejuízo, novamente, dos interesses da maioria dos brasileiros.

Falando na possibilidade de maior participação estrangeira na propriedade de ativos brasileiros, está em trâmite um texto substitutivo ao PL 4059/12 para flexibilizar o processo de compra de terras brasileiras por estrangeiros. O texto contraria parecer publicado pela Advocacia Geral da União — que veda, por exemplo, empresas estrangeiras adquirirem imóvel rural com mais de 50 módulos de exploração indefinida. Paralelamente, também se fortalecem os interesses ruralistas com a PEC 215/ 2000, que tem como objetivo retirar do Executivo o poder para demarcar terra indígena, transferindo a palavra final sobre demarcação das terras para o Congresso Nacional. Na prática, as terras ditas “tradicionais” passarão a ser interpretadas como qualquer outra propriedade rural. Ainda sobre esse tema, seguiu para a câmara dos Deputados a PEC 71/2011 (relatada pelo senador Blairo Maggi (PR/MT) e aprovada de forma unânime no Senado), que prevê a indenização a proprietários rurais com áreas incidentes em Terras Indígenas.

Há ainda a tentativa de flexibilização do estatuto do desarmamento. O texto substitutivo, do deputado Laudivio Carvalho (PMDB-MG), aprovado em uma comissão especial do Congresso, facilita a obtenção do porte de armas por mudar os requisitos necessários para o cidadão comum receber autorização para circular nas ruas portando armas de calibre permitido. Trocando em miúdos, será facilitado o acesso às armas por particulares, possibilitando, no limite, que novas milícias possam atuar concorrentemente às forças do Estado – aumentando, ao invés de retrair a violência.

Também no campo dos direitos civis, o PL 5069/ 2013 do deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ) aprovado pela Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) da Câmara, altera regras sobre o aborto, criminalizando quem preste qualquer auxílio ou orientação. No caso de estupro, o texto prevê que o aborto seja permitido somente com exame de corpo delito. Já o Estatuto da Família, PL 6583/2013, de autoria do deputado Anderson Ferreira (PR/ PE), sedimenta uma definição excludente de entidade familiar (“o núcleo social formado a partir da união entre um homem e uma mulher, por meio de casamento ou união estável, ou ainda por comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes”), o que tem como consequência a exclusão do casamento homossexual e também da adoção por famílias formadas por homossexuais marcando um retrocesso enorme nos poucos direitos conquistados pela comunidade LGBT.

Ainda aguarda apreciação do Senado Federal a PEC 171, proposta originalmente em 1993, sobre a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Além de especialistas concordarem de modo quase unânime que a medida não afasta efetivamente adolescentes do crime, seu efeito político imediato é isentar o Estado do compromisso com políticas de juventude, combatendo-se o efeito e não a causa da criminalidade, como o comprova a experiência de outros países. A medida é absurda dentre outros motivos porque já existem leis que responsabilizam menores infratores. Todos esses diferentes projetos simbolizam enormes retrocessos nos direitos civis, que prejudicam principal e diretamente as vidas das mulheres, jovens e LGBTs.

Enquanto emergem aparatos legais tão polêmicos, é assustadora a aprovação da lei anti-terrorismo pelo Plenário do Senado em 24 de fevereiro de 2016, que reformula o conceito de “organização terrorista”. Como alardeiam os críticos, e também a Organização das Nações Unidas (ONU), o projeto agride os direitos humanos porque a tipificação para o crime de terrorismo está ampla e abre margem para a repressão de movimentos sociais e manifestações populares. Em nota, a ONU reforçou que definições imprecisas não são compatíveis com a perspectiva das normas internacionais de Direitos Humanos. Ou seja, no atual contexto em que os diversos atores políticos deveriam se fortalecer para fazer escutar suas vozes e disputar o poder, reprime-se seu direito fundamental de se organizar, movimentar e manifestar.

Mesmo que se seja a favor de um ou mais dos projetos aqui tomados apresentados, há de concordar que a premissa elementar, de que o que não pode ser limitado é a garantia da preservação das instituições democráticas. Ou seja, não é hora para decisões tão importantes serem tomadas sem amplo debate na esfera pública, com espaço para crítica e reflexão. A prioridade é, também, zelar pelos direitos humanos e pelas conquistas sociais que efetivamente melhoraram as condições de vida da maioria da sociedade brasileira. É preciso pensar também se essa ofensiva contra empresas brasileiras e contra o atual governo é genuinamente uma tentativa de combater a corrupção e moralizar a política nacional, ou se é uma investida seletiva a favor dos interesses financeiros e internacionais, contra a alteração da correlação de forças da sociedade brasileira dos últimos anos – em que se fortaleceu a posição do Brasil na geopolítica mundial ao mesmo tempo em que se retirou milhões de pessoas da miséria, aumentou-se a remuneração real média dos trabalhadores e atingiu-se a menor taxa de desemprego observada desde o fim da ditadura militar.

*Cristina Fróes de Borja Reis, Doutora em Economia pela UFRJ, Professora de Economia e Relações Internacionais na UFABC, autora da monografia premiada pelo Tesouro Nacional Os efeitos do investimento publico sobre o desenvolvimento econômico: análise aplicada para a economia brasileira entre 1950 e 2006 (2008).

*Tatiana Berringer, Doutora em Ciência Política pela UNICAMP, Professora de Relações Internacionais na UFABC, autora do livro A burguesia brasileira e a política externa nos governos FHC e Lula .(2015).

*Maria Caramez Carlotto, Doutora em Sociologia pela USP, Professora de Relações Internacionais na UFABC, autora do livro Veredas da mudança na ciência brasileira. Discurso, institucionalização e práticas no cenário contemporâneo (2013).

Fonte: Outras Palavras

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