Archive | abril 2012

A origem e o significado do 1º de Maio

Se acreditais que enforcando-nos podeis conter o movimento operário, esse movimento constante em que se agitam milhões de homens que vivem na miséria, os escravos do salário; se esperais salvar-vos e acreditais que o conseguireis, enforcai-nos! Então vos encontrarei sobre um vulcão, e daqui e de lá, e de baixo e ao lado, de todas as partes surgirá a revolução. É um fogo subterrâneo que mina tudo”. Augusto Spies, 31 anos, diretor do jornal Diário dos Trabalhadores. 


“Se tenho que ser enforcado por professar minhas idéias, por meu amor à liberdade, à igualdade e à fraternidade, então nada tenho a objetar. Se a morte é a pena correspondente à nossa ardente paixão pela redenção da espécie humana, então digo bem alto: minha vida está à disposição. Se acreditais que com esse bárbaro veredicto aniquilais nossas idéias, estais muito enganados, pois elas são imortais”. Adolf Fischer, 30 anos, jornalista.

“Em que consiste meu crime? Em ter trabalhado para a implantação de um sistema social no qual seja impossível o fato de que enquanto uns, os donos das máquinas, amontoam milhões, outros caem na degradação e na miséria. Assim como a água e o ar são para todos, também a terra e as invenções dos homens de ciência devem ser utilizadas em benefício de todos. Vossas leis se opõem às leis da natureza e utilizando-as roubais às massas o direito à vida, à liberdade e ao bem-estar”. George Engel, 50 anos, tipógrafo.

“Acreditais que quando nossos cadáveres tenham sido jogados na fossa tudo terá se acabado? Acreditais que a guerra social se acabará estrangulando-nos barbaramente. Pois estais muito enganados. Sobre o vosso veredicto cairá o do povo americano e do povo de todo o mundo, para demonstrar vossa injustiça e as injustiças sociais que nos levam ao cadafalso”. Albert Parsons lutou na guerra da secessão nos EUA.

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As corajosas e veementes palavras destes quatro líderes do jovem movimento operário dos EUA foram proferidas em 20 de agosto de 1886, pouco após ouvirem a sentença do juiz condenando-os à morte. Elas estão na origem ao 1º de Maio, o Dia Internacional dos Trabalhadores. Na atual fase da luta de classes, em que muitos aderiram à ordem burguesa e perderam a perspectiva do socialismo, vale registrar este marco histórico e reverenciar a postura classista destes heróis do proletariado. A sua saga serve de referência aos que lutam pela superação da barbárie capitalista.

A origem do 1º de Maio está vinculada à luta pela redução da jornada de trabalho, bandeira que mantém sua atualidade estratégica. Em meados do século XIX, a jornada média nos EUA era de 15 horas diárias. Contra este abuso, a classe operária, que se robustecia com o acelerado avanço do capitalismo no país, passou a liderar vários protestos. Em 1827, os carpinteiros da Filadélfia realizaram a primeira greve com esta bandeira. Em 1832, ocorre um forte movimento em Boston que serviu de alerta à burguesia. Já em 1840, o governo aprova o primeiro projeto de redução da jornada para os funcionários públicos.

Greve geral pela redução da jornada 

Esta vitória parcial impulsionou ainda mais esta luta. A partir de 1850, surgem as vibrantes Ligas das Oito Horas, comandando a campanha em todo o país e obtendo outras conquistas localizadas. Em 1884, a Federação dos Grêmios e Uniões Organizadas dos EUA e Canadá, futura Federação Americana do Trabalho (AFL), convoca uma greve nacional para exigir a redução para todos os assalariados, “sem distinção de sexo, ofício ou idade”’. A data escolhida foi 1º de Maio de 1886 – maio era o mês da maioria das renovações dos contratos coletivos de trabalho nos EUA.

A greve geral superou as expectativas, confirmando que esta bandeira já havia sido incorporada pelo proletariado. Segundo relato de Camilo Taufic, no livro “’Crônica do 1º de Maio”, mais de 5 mil fábricas foram paralisadas e cerca de 340 mil operários saíram às ruas para exigir a redução. Muitas empresas, sentindo a força do movimento, cederam: 125 mil assalariados obtiveram este direito no mesmo dia 1º de Maio; no mês seguinte, outros 200 mil foram beneficiados; e antes do final do ano, cerca de 1 milhão de trabalhadores já gozavam do direito às oito horas.

“Chumbo contra os grevistas”, prega a imprensa 

Mas a batalha não foi fácil. Em muitas locais, a burguesia formou milícias armadas, compostas por marginais e ex-presidiários. O bando dos “’Irmãos Pinkerton” ficou famoso pelos métodos truculentos utilizados contra os grevistas. O governo federal acionou o Exército para reprimir os operários. Já a imprensa burguesa atiçou o confronto. Num editorial, o jornal Chicago Tribune esbravejou: “O chumbo é a melhor alimentação para os grevistas. A prisão e o trabalho forçado são a única solução possível para a questão social. É de se esperar que o seu uso se estenda”.

A polarização social atingiu seu ápice em Chicago, um dos pólos industriais mais dinâmicos do nascente capitalismo nos EUA. A greve, iniciada em 1º de Maio, conseguiu a adesão da quase totalidade das fábricas. Diante da intransigência patronal, ela prosseguiu nos dias seguintes. Em 4 de maio, durante um protesto dos grevistas na Praça Haymarket, uma bomba explodiu e matou um policial. O conflito explodiu. No total, 38 operários foram mortos e 115 ficaram feridos.

Os oito mártires de Chicago 

Apesar da origem da bomba nunca ter sido esclarecida, o governo decretou estado de sítio em Chicago, fixando toque de recolher e ocupando militarmente os bairros operários; os sindicatos foram fechados e mais de 300 líderes grevistas foram presos e torturados nos interrogatórios. Como desdobramento desta onda de terror, oito líderes do movimento – o jornalista Auguste Spies, do “’Diário dos Trabalhadores”’, e os sindicalistas Adolf Fisher, George Engel, Albert Parsons, Louis Lingg, Samuel Fielden, Michael Schwab e Oscar Neebe – foram detidos e levados a julgamento. Eles entrariam para a história como “Os Oito Mártires de Chicago”.

O julgamento foi uma das maiores farsas judiciais da história dos EUA. O seu único objetivo foi condenar o movimento grevista e as lideranças anarquistas, que dirigiram o protesto. Nada se comprovou sobre os responsáveis pela bomba ou pela morte do policial. O juiz Joseph Gary, nomeado para conduzir o Tribunal Especial, fez questão de explicitar sua tese de que a bomba fazia parte de um complô mundial contra os EUA. Iniciado em 17 de maio, o tribunal teve os 12 jurados selecionados a dedo entre os 981 candidatos; as testemunhas foram criteriosamente escolhidas. Três líderes grevistas foram comprados pelo governo, conforme comprovou posteriormente a irmã de um deles (Waller).

A maior farsa judicial dos EUA 

Em 20 de agosto, com o tribunal lotado, foi lido o veredicto: Spies, Fisher, Engel, Parsons, Lingg, Fielden e Schwab foram condenados à morte; Neebe pegou 15 anos de prisão. Pouco depois, em função da onda de protestos, Lingg, Fielden e Schwab tiveram suas penas reduzidas para prisão perpétua. Em 11 de novembro de 1887, na cadeia de Chicago, Spies, Fisher, Engel e Parsons foram enforcados. Um dia antes, Lingg morreu na cela em circunstâncias misteriosas; a polícia alegou “suicídio”. No mesmo dia, os cinco “’Mártires de Chicago” foram enterrados num cortejo que reuniu mais de 25 mil operários. Durante várias semanas, as casas proletárias da região exibiram flores vermelhas em sinal de luto e protesto.

Seis anos depois, o próprio governador de Illinois, John Altgeld, mandou reabrir o processo. O novo juiz concluiu que os enforcados não tinham cometido qualquer crime, “tinham sido vitimas inocentes de um erro judicial”. Fielden, Schwab e Neebe foram imediatamente soltos. A morte destes líderes operários não tinha sido em vão. Em 1º de Maio de 1890, o Congresso dos EUA regulamentou a jornada de oito horas diárias. Em homenagem aos seus heróis, em dezembro do mesmo ano, a AFL transformou o 1º de Maio em dia nacional de luta. Posteriormente, a central sindical, totalmente corrompida e apelegada, apagaria a data do seu calendário.

Em 1891, a Segunda Internacional dos Trabalhadores, que havia sido fundada dois anos antes e reunia organizações operárias e socialistas do mundo todo, decidiu em seu congresso de Bruxelas que “no dia 1º de Maio haverá demonstração única para os trabalhadores de todos os países, com caráter de afirmação de luta de classes e de reivindicação das oito horas de trabalho”. A partir do congresso, que teve a presença de 367 delegados de mais de 20 países, o Dia Internacional dos Trabalhadores passou a ser a principal referência no calendário de todos os que lutam contra a exploração capitalista.

Publicado por Altamiro Borges, em seu blog

Capistrano: 1º de Maio, um dia de luta


 

Primeiro de Maio 

Praticamente em todo o mundo os trabalhadores lembram o dia 1º de Maio como um dia de luta da classe trabalhadora contra a exploração capitalista.

 

Essa comemoração originou-se de um fato histórico ocorrido nos Estados Unidos no dia 1º de Maio de 1886. Nesse dia as organizações operárias norte-americana decretaram um dia nacional de luta contra a exploração da classe operária. Os trabalhadores norte-americanos organizaram uma greve geral, tendo como pauta a jornada de 8 horas de trabalho, a palavra de ordem era: “8 horas de trabalho, 8 horas de sono, 8 horas de lazer”.

Na cidade de Chicago, ocorreu uma violenta repressão ao movimento grevista, com muitas prisões e mortes de trabalhadores. Essa data passou a ser considerada em todo o mundo, como o Dia do Trabalhador, um dia de luta.

José Luiz Del Roio, no seu livro, “1° de Maio – Cem Anos de Luta, 1886-1996”, editora Globo, registrou: “Ali os operários eram usados de quatorze a dezesseis horas por dia, viviam jogados em sórdidos becos e eram considerados como cães por uma burguesia opulenta, prepotente, racista e religiosamente fanática.” Esse foi o motivo da luta dos trabalhadores de Chicago, com a violenta repressão ocorrida nos Estados Unidos, esse dia passou a ser considerado pelos trabalhadores de todo o mundo como o dia da Classe Trabalhadora.

Os capitalistas e as forças reacionárias tentam mascarar essa data mudando a sua denominação de Dia do Trabalhador para o dia do trabalho, na tentativa de mudar o significado dessa importante data das lutas populares, com isso tirando o sentido político dessa data comemorada por todos os trabalhadores.

Há uma diferença significativa entre o dia do trabalho e o Dia do Trabalhador. Se fizermos uma reflexão sobre essa mudança vamos entender o porquê da preocupação da grande mídia na massificação da denominação dia do trabalho em vez de Dia do Trabalhador. Eles estão conseguindo transformar esse dia, que é de luta e de reflexão, em um dia de festejos e de lazer, sem nenhum sentido de classe, com isso transformando o Dia do Trabalhador em uma comemoração que não leva a nada, sem contestação, sem questionamento, apenas um feriado como outro qualquer.

O Dia 1º de Maio é um dia para os trabalhadores estarem nas praças, nas ruas, panfletando, lutando por seus direitos, reafirmando a sua disposição de luta por um mundo melhor e um futuro promissor para os seus filhos.

O importante, no 1º de Maio, é a reflexão sobre as condições de vida da classe trabalhadora e sobre o rumo que o sistema de exploração capitalista tem tomado. É um momento importante para refletir sobre a acumulação capitalista e a exploração do capital sobre o trabalho.

Outro tema importante para debater nesse dia é a utilização da ciência e da tecnologia como ferramenta na obtenção de mais lucro, com isso acarretando o desemprego em todos os setores da atividade produtiva, atingindo violentamente os trabalhadores. Claro que os trabalhadores desejam o avanço da ciência e da tecnologia na produção, mas, que tragam benefícios para todos. A ciência tem que estar a serviço do homem e não contra o homem. Outro tema é o consumismo desenfreado estimulado pelo sistema de produção capitalista, uma atitude devastadora do meio ambiente.

O Dia do Trabalhador é comemorado no dia 1º de Maio em praticamente todos os países do mundo, menos nos Estados Unidos, palco do massacre e da origem das comemorações, lá eles criaram outra data, com o nome de Labor Day (dia do trabalho). Essa substituição não foi por acaso, foi com o intuído de tirar o sentido de luta e de reivindicações desse dia e a sua importância para a classe trabalhadora.

Com a crise cíclica do capitalismo os trabalhadores têm sofrido um revés nas suas conquistas históricas tais como: a jornada de trabalho de 8 horas, aposentadoria por tempo de serviço, férias, estabilidade no emprego. Todas essas conquistas estão sendo ameaçadas, com o desemprego e a substituição da mão-de-obra humana pela máquina.

As comemorações do 1º de Maio têm sido marcadas por grandes manifestações da classe trabalhadora na defesa dos seus direitos, contra o neoliberalismo e contra a insaciável fome de lucros do capitalismo, elemento causador do desemprego, da fome, da miséria e das guerras. O capitalismo é um sistema econômico excludente, basta ver essa nova crise que atinge o mundo capitalista, o primeiro a sofrer os seus efeitos são os trabalhadores. Hoje, a Europa e os Estados Unidos vivem um momento de crise, o desemprego e as ameaças a classe trabalhadores estão presentes em todos os países.

A frase de Karl Marx, “Trabalhadores de todo mundo uni-vos”, continua muito atual. É hora de união de todos os trabalhadores na defesa dos seus direitos, na luta por um mundo de paz e prosperidade, sem fome e sem discriminação.

Antonio Capistrano é filiado ao PCdoB

Camisinhas femininas deverão ser distribuídas pelo SUS a partir deste mês

– Publicado por Robson Pires

 

A partir da segunda quinzena de maio, o Sistema Único de Saúde (SUS) deverá começar a distribuir preservativos femininos. O primeiro lote das camisinhas importadas está agendado para chegar na próxima sexta-feira (4). O governo federal gastou R$ 27, 3 milhões para a compra das unidades – cada uma custou R$ 1,36.

Ao longo do ano, devem ser distribuídos 20 milhões de preservativos, divididos em cinco lotes, informou o Departamento de Doenças Sexualmente Transmissível, Aids e Hepatites Virais, vinculado ao Ministério da Saúde. Todas as camisinhas femininas são feitos de borracha nitrílica – material antialérgico, macio e mais fino do que o látex usado na versão masculina.

1º Encontro Nacional da Articulação de Lésbicas será encerrado amanhã em Natal

– Publicado por Robson Pires

Desde o último sábado, 28, acontece em Natal, no Praiamar Hotel, o 1º Encontro Nacional da Articulação Brasileira de Lésbicas (ABL), que será encerrado nesta terça-feira (1º).

De acordo com a coordenadora de Direitos Humanos e Defesa das Minorias, Adna Ligia, é preciso reconhecer o direito à liberdade de orientação sexual. “São princípios fundamentais para o exercício da sexualidade sem coerção. Eventos como esse são importantes, pois contribuem para a conquista de valores sobre o próprio corpo e reconhecem o direito à liberdade de orientação sexual como um direito humano”, disse ela.

O encontro conta com o apoio da Secretaria Nacional de Políticas Para Mulheres, Departamento Nacional de DST/AIDS e Hepatites Virais, Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Prefeitura do Natal, Governo do Estado do Rio Grande do Norte, entre outros.

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