EXCLUSIVO: Vereador Marcos do PSOL cobra “mensalinho” de seus servidores

Vídeos expõem como servidores são obrigados a darem parte dos próprios salários para o vereador Marcos do PSOL. Segundo as denúncias, os recursos eram para cobrir despesa de campanha e os salários de outros servidores.


Por Dinarte Assunção

Marcos Antônio: denúncia indica "mensalinho"
Marcos Antônio: denúncia indica “mensalinho”

Um esquema instituído pelo vereador Marcos do PSOL em seu gabinete tem obrigado servidores a doar parte dos próprios salários para o parlamentar. Vídeos obtidos com exclusividade pela reportagem do portalnoar.com revelam como os funcionários do vereador eram obrigados a repassar os recursos. Considerado um “mensalinho” pelas vítimas, a prática vem sendo feito há mais de um ano.

De acordo com o que apurou a reportagem, o dinheiro, alegava o parlamentar, era utilizado para caixa de campanha. Além disso, ele também servia para pagar outros servidores contratados informalmente, ou seja, quem estava oficialmente na folha de pagamento da Câmara Municipal ainda era obrigado a dividir seu salário.

A prática ficou tão banalizada que avisos passaram a ser afixados nos quadros para os servidores. Neles, era informado quando o coordenador financeiro de Marcos do PSOL, Reginaldo Alves, passaria para pegar parte dos salários para o gabinete.

Segundo apurou a reportagem, além de alguns servidores receberem abaixo do salário mínimo, o auxílio-transporte era custeado do próprio bolso em uma manobra do esquema: ao pagar o “mensalinho”, o funcionário recebia depois, do próprio dinheiro, a parcela para cobrir gastos com locomoção. A reportagem tenta contato com o vereador para ouvir sua versão.

Abaixo, dois vídeos com os diálogos transcritos expõem o esquema.

Testemunha: Reginaldo, ficava quanto pra mim?

Reginaldo: Você tirou o extrato?

Testemunha: Tirei, mas tinha…

Reginaldo: O seu é duzentos, né?

Testemunha: Certo.

Reginaldo: Quarenta por cento né duzentos?

[trecho incompreensível]

Reginaldo: O extrato tem o valor que houve o crédito. No princípio preciso mostrar pra Marcos. Fulano de tal foi isso. Tá aqui quanto foi o depositado. [Incompreensível] o único documento com o valor é o extrato.

Testemunha: Porque assim… Não sei se vai.

Reginaldo: Preciso do extrato porque Marcos quer ver o extrato de cada um pra ver o valor. Aí preciso do extrato

Testemunha: Ainda tinha uma sobra de dinheiro meu lá. Um total de 392.

Reginaldo: [incompreensível]

Testemunha: Quarenta por cento do que eu ganho dá…

Reginaldo: Dá duzentos

Testemunha: Aí desses duzentos eu tenho que tirar quanto pra mim?

Reginaldo: Não. Duzentos é seu. se entrou 300 você vai passar 100 pro gabinete. Duzentos né seu? Foi entrado na sua conta trezentos e alguma coisa. Foi depositado pra você dia 6 trezentos e alguma coisa. Agora quanto só o extrato que vai dizer. Do que foi depositado, 200 é seu. Agora, a diferença é que é do gabinete.

Testemunha: Simples.

Reginaldo: Hoje é terça. Não, quarta-feira. Quarta-feira umas oito horas eu passo aqui, então.

Testemunha: Tá certo. Tá bom, então.

Reginaldo: Infelizmente, né… Infelizmente eu preciso… Tem que pedir. [Incompreensível] O extrato pra ver quanto é da pessoa e quanto é do gabinete. Ainda tem que pagar os outros. Ainda não paguei nada pros outros. Aroldo já ligou. Eu disse que tô recolhendo, num posso fazer nada. A de Ozali também… Jobson também… Só quem repassou foi Gutemberg. Amaro ficou de ir lá e não foi. Hoje não tem expediente, amanhã não sei se ele vai. Tô correndo atrás, mas o pessoal já tão ligando e querendo, né, infelizmente. É dinheiro. Quem não quer?


Reginaldo: […] O repasse do gabinete.

Testemunha: É quanto?

Reginaldo: Cento e noventa

Testemunha: Tome. Confira aí.

Reginaldo: [Passa a contar as cédulas] Cento e noventa?

Testemunha: Sim.

Reginaldo: um, dois, três, quatro, cinco. Cem. E noventa.

Testemunha: É porque eu tava contando os vinte por uma nota. Pense como eu tô desorientada. Aí vai me dar o das passagens, né?

Reginaldo: É.

Testemunha: Aí o salário da gente num aumenta, não, Reginaldo?

Reginaldo: O salário?

Testemunha: Sim. Devido ao [aumento do] salário mínimo.

Reginaldo: Não.

Testemunha: Num acompanha não, né?

Reginaldo: Teve uma proposta lá na semana passada pra discutir o salário de assesores. Mas passa nada. Eu acho que de todo jeito não passa. Tenho experiência.

Testemunha: Será?

Reginaldo: [Incompreensível]… tinha lá a proposta pra reajuste pros assessores.

Testemunha: Passa não que eles num vão querer pagar.

Reginaldo: Onerar a folha do prefeito…

[Os dois passam a então a falar baixo, mas se percebe que Reginaldo pede para a testemunha assinar um recibo].

Testemunha: Completo é, Reginaldo, o nome, ou pode abreviar?

Reginaldo: Pode só rubricar.

Testemunha: Pronto.

Reginaldo [Devolvendo, então, uma quantia do dinheiro que a própria servidora repassou para custear seu auxílio-transporte]: Oitenta.

Testemunha: Hmmm.

Reginaldo: [Ainda devolvendo mais dinheiro] Três e sessenta.

Testemunha: Tchau. Até o próximo mês quando vier buscar o outro.

Fonte: Portal NoAR

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One response to “EXCLUSIVO: Vereador Marcos do PSOL cobra “mensalinho” de seus servidores”

  1. manoel says :

    Em todos os partidos tem pilantras ,isso não é novidade ,querem acabar com esta pilantragem basta responsabilidades o partido pq o mandato é do partido .e o partido aceita falar em nome dele ,

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